Thursday, 11 November 2010

Comendo às escuras em Zurique... Blinde Kuh

Para o meu jantar de aniversário eu e o Fábio fomos a um restaurante em Zurique onde se come no escuro! Sim, isso mesmo: no escuro!!!! Juro que não dá para ver um palmo a frente!!! Foi uma loucura!!!
Já havia lido sobre esse estilo de restaurante, que surgiu aqui na Suiça e foi criado por um homem cego, mas ainda não tinha tido a chance de ir. Li num artigo que as pessoas acabavam pegando a comida com a mão porque assim teriam a sensação de sabber melhor o que estava comendo. Claro que eu achei isso uma tremenda balela, e tinha certeza de que nunca faria isso, ainda mais porque tenho um nervoso de comer com as mãos e tê-las sujas. Cá entre nós, frescura total! Mas o pior é que foi isso mesmo que rolou!!! Quando me dei conta, estava colocando a mão no prato sem a menor cerimônia!!!!

Fiz a reserva no restaurante com bastante tempo de antecedência. Não queria ter a chance de ouvir que o restaurante já estava lotado. Tinha colocado na cabeça que jantaria lá no dia 27/outubro, e não havia restaurante com estrela michelin que fosse me fazer mudar de idéia!
Fiquei até uns dias antes do meu aniversário só pensando no dia em que eu provaria dessa louca experiência, até que na véspera me dei conta de que tenho medo de escuro, e de que teria que ficar no escuro por algumas horas! Rolou um certo pânico, eu confesso... mas no fim eu relaxei e me enchi de coragem porque achei que tinha que vencer o meu medo e não me privar das coisas que quero.
 
Chegamos no restaurante e logo na entrada há uma recepção onde tem o cardápio (enxutíssimo) projetado na parede. São duas opções de entrada, duas de prato principal e mais duas ou três de sobremesa. Você tem que escolher o que vai querer naquele momento e memorizar, pois vai ter que dizer ao garçom, que é parcial ou totalmente cego, no momento em que se sentar a mesa. (Não rola de ler no escuro, né?! =])
Eu escolhi uma salada de funcho com figo e parmesão de entrada; bife cozido lentamente com legumes e purê de batata de prato principal; e uma torta de chocolate trufado para a sobremesa.
Decorou as escolhas?
Sim!
Então é hora do seu garçom, no nosso caso garçonete - Elizabeth, totalmente cega - vir nos buscar para levar-nos à nossa mesa.
Fomos andando em fila indiana e segurando nos ombros da pessoa a frente. O Fabio seguiu a Elizabeth, e eu quase massacrei os ombros do Fabio de tanto que apertava com o medo e angústia de ir entrando no restaurante totalmente escuro. Chegamos à mesa e ela colocou a cada um de nós em frente a cadeira, e daí por diante você se vira!
A minha primeira reação foi de choque... demorei muito a me acostumar a estar totalmente no escuro. E o pior é que não entendia como as pessoas sentadas nas mesas ao lado poderiam estar descontraidamente rindo e conversando. Como assim eles podem estar contando uma piada ou dividindo o feito do dia????
Para mim isso pareceu surreal!
Depois comecei a pensar em como eu comeria a carne, como conseguiria cortá-la... Porque cargas d'água eu tinha resolvido pedir uma carne ao invés do peixe, que era a outra opcão???
Fiquei me consumindo com essa questão até chegar o prato principal.
Depois de sentármos  à mesa ela nos perguntou o que beberíamos; eu uma taca de vinho tinto e o Fábio uma cerveja. Logo depois chegou a comida (impressionante a rapidez). Acho que como eles só tem poucas opções no menu, dá para fazer as coisas com uma certa escala.

A saladinha estava ok. O mais louco foi sentir que eu estava comendo com um neandertal!!! Ao fim já estava passando a mão no prato para saber se tinha algo ainda lá ou se de alguma maneira eu tinha conseguido comer tudo. É difílcil mesmo saber o que está se comendo, se está pegando a quantidade certa para levar a boca ou uma migalhinha ou uma super garfada.
Depois chegou a carne... e para o meu alívio estava super macia, então cortá-la não era mais um problema, a não ser pela surpresa do tamanho do pedaço que eu tinha conseguido cortar. Umas vezes vinham uns micro pedacos, no estilo baby, e outras enormes!
Ao fim, consegui comer quase tudo. Mas não saí invicta, já que metade do prato foi misteriosamente parar no meu colo... Parece fácil mas é difícil equilibrar a comida no garfo. Eventualmente grande parte da minha foi parar na minha roupa!
A essa altura, eu e o Fábio também estávamos falando de amenidades, e até dando risadas. Ao fim, percebi que depois de um tempo já tínhamos relaxado e nos acostumado a ficar no escuro.
Na hora do sobremesa eu já estava espertinha, e comi sem grandes acidentes. Claro que sempre colocando o dedinho no prato para checar o status da torta!
Depois disso chamamos a Elizabeth, e avisamos que já estávamos prontos para ir embora. Ela então, nos acompanhou até a saída, e como na entrada fomos em fila indiana, e sendo expostos a luz gradativamente. Pagamos a conta na mesma recepção onde estava o cardápio e delá rumo a casa com uma sensação super bacana e louca ao mesmo tempo. 
Enfim, só posso dizer que o jantar de comemoração dos meus XX aninhos foi inesquecível!

Não recomendaria pela comida, que é bem regular, mas sim pela louca experiência.

Para os que quiserem se aventurar...
Blinde Kuh
Mühlebachstrasse 148
CH-8008 Zürich
Telefon 044 421 50 50

3 comments:

Honey said...

Voce nao tem noçao,eu quero muito conhecer esse restaurante!!!
Vi uma reportagem no Amaury Junior quando estava no Brasil,mas ele foi no da Alemanha.
Amei seu post!!

Deborah said...

Ola Honey!
Ai, eu super recomendo uma ida ao Blind Kuh! Foi uma louca experiencia, mas super interessante!
Que bom q vc gostou do post!
Bjs

Julli said...

Menina, eu fui em um em Berlim e odiei! Nem cheguei a provar a comida, passei mal horrores, me senti super mal lá dentro e desistimos.
Mas a idéia foi de amigos, não nossa, porque eu realmente já sabia que não ia gostar e foi surpresa, não tive o que fazer, hahaha.
Beijos!