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Monday, 15 November 2010

Comidinhas de festa

 


No dia 27/outubro comemorei mais um aninho de vida. Como costumo dizer por aí, tem que ter alguma vantagem em ficar mais velha, e para mim não é a maturidade nem a experiência que acumulamos ao longo do tempo, e sim a ótima desculpa para reunir amigos para um bom papo regado a drinks e boa comida. E como não sou boba nem nada, foi isso mesmo que eu fiz! :)
No dia 28 fiz um balaco light aqui em casa para cerca de 12 pessoas. Preparei todas as comidinhas no próprio dia, mas a verdade é que os preparativos começaram bem antes...
Sou fanática por listas, então para mim o evento começa quando faço a primeira lista, que foi a de convidados. Essa não foi muito difícil, mas a seguinte me custou dias e dias: o menu. E claro, a última foi a extensa lista de compras com todos os ingredientes.
Depois de muita pesquisa, decidi que serviria apenas finger food, que é literalmente comida que se pode comer com as mãos. Nada muito complicado e formal... curto mais um esquema despojado, com a galera beliscando uma comidinha aqui outra ali entre um bate-papo e outro.
O cardápio foi esse:
  • Crostini: tapenade com queijo de cabra e pesto com tomate
  • Muffin de cheddar com bacon [ver receita aqui]
  • Alcachofra com presunto cru
  • Batatinhas com salmão e molho de mostarda e aneto
  • Rolinhos de beringela com queijo feta, chilli e hortelã
  • Cogumelos recheados com gorgonzola
  • Halloumi com molho de chilli
  • Camembert derretido com cebola caramelada
  • Azeitona recheada com anchova

Tudo isso regado a cervejinhas, cava espanhol e vinho tinto e branco...
  • Crostini

O crostini é uma espécie de bruschetta, mas feita com um outro tipo de pão, tipo ciabatta. O princípio é o mesmo: cortar o pão em fatias e grelhá-lo ou assá-lo. Pode-se passar um dente de alho nas fatias, depois um pouco de azeite e levá-las ao forno. Eu, não costumo usar o alho, pois acho que fica muito forte. Normalmente corto o pão em fatias de mais ou menos 1cm, molho com um pouco de azeite extra virgem e levo ao forno pré aquecio por uns 10 minutos, até que estejam crocantes, mas não tostadas. Depois passo o que der na telha por cima das fatias.

Dessa vez fiz de pesto de manjericão com tomate cereja picado. O pesto é aquele de sempre (receita aqui), e por cima coloquei um tomtes cereja picados. Piquei os tomates, salpiquei um pouco de sal, e coloquei numa peneira por uns 15 minutos para escorrer o excesso de água.
Espalhei um bocado do pesto por cima das fatias de pão, e depois coloquei um punhadinho de tomates picados por cima. Decorei com uma folhinha de manjericão.

O outro topping foi: tapenade com queijo de cabra. Para os que não conhecem, chegou a hora... a tapenade é uma pasta saborosíssima de origem francesa, mais precisamente da Provence.
A receita vem do livro The Essential Mediterranean Cookbook.

400g de azeitona preta grega (tipo Kalamata)
2 dentes de alho amassados
2 filés de anchova sem óleo
2 colheres de sopa de alcaparras escorridas
2 colheres de chá de tomilho fresco picado
2 colheres de chá de mostarda Dijon
1 colher de sopa de suco de limão siciliano
60ml de azite extra-virgem

Processe todos os ingredientes até adquirir uma consitência cremosa. Ao fim adicione um pouco de pimenta do reino preta moída na hora.
Conserve num pote de vidro esterelizado, e conserve na geladeira.

O meu dura uma vida na geladeira... Na verdade, nunca durou mais do que 1 mês, pois sempre acabamos com ela antes!!! Sempre tenho homemade tapenade na geladeira. É um super quebra-galho, fácil de fazer e uma delícia de comer!
Essa receita é um sucesso!!! Não tem uma só pessoa que tenha provado e não tenha elogiado!
  • Batatinhas om salmão com molho de mostarda e aneto

300g de salmão defumado 20 batatinhas (pequeninas, tipo calabresa)
150ml sour cream
1 colher de sopa de açúcar
Azeite
2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco
Aneto

Cozinhar as batatas inteiras e com casca em água salgada (eu sempre coloco um pouco de caldo de legumes) por uns 15 minutos ou até que as batatas estejam cozidas, porém ainda firmes.
Enquanto isso, cortar as fatias de salmão defumado em dois, formando duas tiras.
Misture o restante dos ingredientes num bowl, até formar um creme homogêneo.
Escorra as batatas, e reserve até que esfrie. Corte as batatas ao meio longitudinalmente.


Enrole cada fatia no meio da batata e disponha num prato, e sirva acompanhado do molho.
  • Beringela recheada com queijo feta, chilli e hortelã
Essa receita eu peguei do livro da Nigella Lawson, Forever Summer.

2 beringelas grandes, fatiadas finamente no sentido vertical
4 colheres de sopa de azeite
250g queijo feta esmigalhado
1 chilli vermelho grande, sem sementes e bem picados
1 maço de hortelã
Suco de 1 limão siciliano
Pimenta do reino preta

Aqueça um frigideira em fogo médio. Pincele azeite em ambos os lados das fatias de beringela, e grelhe por dois minutos em cada lado até que estejam macias.
Enquanto isso, num bowl, misture o restante dos ingredientes. Não e necessário adicionar sal porque o feta já é bem salgadinho.
Coloque um pouco da mistura na ponta da fatia da beringela, e vá enrolando até fechar o rolinho. 

Ficou uma delícia! Dá para ver que não é difícil, só um pouco demorado... mas vale a pena!


  • Cogumelos recheados com gorgonzola
600g de cogumelos (usei uns que aqui se chamam button, aqueles bem redondinhos e firmes)
150g de ricota
100g de gorgonzola
50g de mascarpone
Farinha de rosca
Parmesão

Lavar bem os cogumelos um a um e secar com papel toalha ou um pano de prato limpo.
Remover o caule.
Num bowl, misturar o mascarpone, ricota e gorgonzola, batendo com o fouet até que formar uma pasta cremosa e lisa.
Rechear cada cogumelo um pouco da mistura, salpicar um pouco de farinha de rosca e parmesão por cima.
Levar ao forno pré-aquecido a 200C por 25 minutos ou até que os cogumelos estejam macios e o recheio crocante e dourado.

Não tenho fotos dos cogumelos... No momento em que o Fábio fez os registros, eles ainda não estavam  prontos. :(
  • Halloumi com molho de chilli
Essa receitinha facílima também encontrei no livro Forever Summer, da Nigella Lawson.

500g de halloumi, cortados em quadrados médios
2 chillis vermelhos médios, sem sementes e bem picados
2 colheres de azeite
Suco de 1/2 limão siciliano

Misture o azeite com o chilli picado, e deixe marinar.
Aqueça em fogo médio/alto uma frigideira anti-aderente. (Não e preciso adicionar qualquer tipo de óleo, pois o halloumi é "auto-fritante", ou seja frita na sua própria gordura.) =]
Grelhe os pedaços de queijo até que os dois lados fiquem dourados.
Despeje o molho de chilli por cima do halloumi grelhado, e finalize com o suco de limão.
Sirva imediatamente!

Também não tenho foto do halloumi, pois fiz na hora que os convidados já estavam aqui, para que comessem quente... Todos adoraram, principalmente os que estavam com saudades do nosso queijo de coalho, que é bem parecido, quase um primo!
  • Camembert derretido com cebola caramelada
Já faço essa geléia de cebola roxa há algum tempo, e ela sempre voa da geladeira... é tipo um hit aqui em casa! Todos que provam amam, e o Fábio sempre que vê na geladeira abre o pote para dar uma conferida!
Vai bem com qualquer tipo de queijo ou acompanhando um hamburguer ou steak... enfim, é pau para toda obra, mas confesso que aqui em casa ela é mais usada para acompanhar queijinhos.

500g de cebola roxa, fatiada finamente
50ml de azeite
1 folha de louro
100gr açúcar mascavo

75ml vinagre balsâmico
50ml vinagre de vinho tinto


Refogar no azeite a cebola fatiada em fogo baixo, até que estejam bem tenras. esse processo leva uns 20 minutos. Em seguida, adicionar o açúcar e os vinagres e a folha de louro. Cozinhar em fogo médio até que estejam bem caramelizadas (de 30 a 40 minutos).
Se ainda houver muito líquido depois desse tempo, aumente um pouco o fogo e vá mexendo bem para que ele evapore. Retire o louro.
Guarde em um pote de vidro devidamente esterelizado.
 
O ideal é conservar a geléia por um mês antes de consumir para que ela intensifique o sabor, mas isso nunca acontece aqui nesta casa...



Bom, deu para ver que tive um dia trabalhoso, né?!
Valeu muito a pena! Vi caras satisfeitas ao comer minha comidinha, e ouvi vários elogios!
A verdade é que eu não vejo a hora de preparar a próxima festa... =]

Thursday, 11 November 2010

Comendo às escuras em Zurique... Blinde Kuh

Para o meu jantar de aniversário eu e o Fábio fomos a um restaurante em Zurique onde se come no escuro! Sim, isso mesmo: no escuro!!!! Juro que não dá para ver um palmo a frente!!! Foi uma loucura!!!
Já havia lido sobre esse estilo de restaurante, que surgiu aqui na Suiça e foi criado por um homem cego, mas ainda não tinha tido a chance de ir. Li num artigo que as pessoas acabavam pegando a comida com a mão porque assim teriam a sensação de sabber melhor o que estava comendo. Claro que eu achei isso uma tremenda balela, e tinha certeza de que nunca faria isso, ainda mais porque tenho um nervoso de comer com as mãos e tê-las sujas. Cá entre nós, frescura total! Mas o pior é que foi isso mesmo que rolou!!! Quando me dei conta, estava colocando a mão no prato sem a menor cerimônia!!!!

Fiz a reserva no restaurante com bastante tempo de antecedência. Não queria ter a chance de ouvir que o restaurante já estava lotado. Tinha colocado na cabeça que jantaria lá no dia 27/outubro, e não havia restaurante com estrela michelin que fosse me fazer mudar de idéia!
Fiquei até uns dias antes do meu aniversário só pensando no dia em que eu provaria dessa louca experiência, até que na véspera me dei conta de que tenho medo de escuro, e de que teria que ficar no escuro por algumas horas! Rolou um certo pânico, eu confesso... mas no fim eu relaxei e me enchi de coragem porque achei que tinha que vencer o meu medo e não me privar das coisas que quero.
 
Chegamos no restaurante e logo na entrada há uma recepção onde tem o cardápio (enxutíssimo) projetado na parede. São duas opções de entrada, duas de prato principal e mais duas ou três de sobremesa. Você tem que escolher o que vai querer naquele momento e memorizar, pois vai ter que dizer ao garçom, que é parcial ou totalmente cego, no momento em que se sentar a mesa. (Não rola de ler no escuro, né?! =])
Eu escolhi uma salada de funcho com figo e parmesão de entrada; bife cozido lentamente com legumes e purê de batata de prato principal; e uma torta de chocolate trufado para a sobremesa.
Decorou as escolhas?
Sim!
Então é hora do seu garçom, no nosso caso garçonete - Elizabeth, totalmente cega - vir nos buscar para levar-nos à nossa mesa.
Fomos andando em fila indiana e segurando nos ombros da pessoa a frente. O Fabio seguiu a Elizabeth, e eu quase massacrei os ombros do Fabio de tanto que apertava com o medo e angústia de ir entrando no restaurante totalmente escuro. Chegamos à mesa e ela colocou a cada um de nós em frente a cadeira, e daí por diante você se vira!
A minha primeira reação foi de choque... demorei muito a me acostumar a estar totalmente no escuro. E o pior é que não entendia como as pessoas sentadas nas mesas ao lado poderiam estar descontraidamente rindo e conversando. Como assim eles podem estar contando uma piada ou dividindo o feito do dia????
Para mim isso pareceu surreal!
Depois comecei a pensar em como eu comeria a carne, como conseguiria cortá-la... Porque cargas d'água eu tinha resolvido pedir uma carne ao invés do peixe, que era a outra opcão???
Fiquei me consumindo com essa questão até chegar o prato principal.
Depois de sentármos  à mesa ela nos perguntou o que beberíamos; eu uma taca de vinho tinto e o Fábio uma cerveja. Logo depois chegou a comida (impressionante a rapidez). Acho que como eles só tem poucas opções no menu, dá para fazer as coisas com uma certa escala.

A saladinha estava ok. O mais louco foi sentir que eu estava comendo com um neandertal!!! Ao fim já estava passando a mão no prato para saber se tinha algo ainda lá ou se de alguma maneira eu tinha conseguido comer tudo. É difílcil mesmo saber o que está se comendo, se está pegando a quantidade certa para levar a boca ou uma migalhinha ou uma super garfada.
Depois chegou a carne... e para o meu alívio estava super macia, então cortá-la não era mais um problema, a não ser pela surpresa do tamanho do pedaço que eu tinha conseguido cortar. Umas vezes vinham uns micro pedacos, no estilo baby, e outras enormes!
Ao fim, consegui comer quase tudo. Mas não saí invicta, já que metade do prato foi misteriosamente parar no meu colo... Parece fácil mas é difícil equilibrar a comida no garfo. Eventualmente grande parte da minha foi parar na minha roupa!
A essa altura, eu e o Fábio também estávamos falando de amenidades, e até dando risadas. Ao fim, percebi que depois de um tempo já tínhamos relaxado e nos acostumado a ficar no escuro.
Na hora do sobremesa eu já estava espertinha, e comi sem grandes acidentes. Claro que sempre colocando o dedinho no prato para checar o status da torta!
Depois disso chamamos a Elizabeth, e avisamos que já estávamos prontos para ir embora. Ela então, nos acompanhou até a saída, e como na entrada fomos em fila indiana, e sendo expostos a luz gradativamente. Pagamos a conta na mesma recepção onde estava o cardápio e delá rumo a casa com uma sensação super bacana e louca ao mesmo tempo. 
Enfim, só posso dizer que o jantar de comemoração dos meus XX aninhos foi inesquecível!

Não recomendaria pela comida, que é bem regular, mas sim pela louca experiência.

Para os que quiserem se aventurar...
Blinde Kuh
Mühlebachstrasse 148
CH-8008 Zürich
Telefon 044 421 50 50